OCUPANDO O LATIFÚNDIO ELETROMAGNÉTICO

Uma gaiola saiu à procura de um gato ou: Quando os ratos pedem para serem livres dentro da gaiola

Uma gaiola saiu à procura de um gato.

(ou: Quando os ratos pedem para serem livres dentro da gaiola)

Na situação em que a verdade é um momento do que é falso, o ficcional toma o lugar do real.

Aí então os ratos presos na gaiola pedem para que os gatos só cacem (matem, torturem, prendam) os ratos que estão fora da gaiola.

Os ratos — se achando muito rebeldes — querem ser livres dentro das sua prisão.

Os ratos não entendem que é impossível ser livre cercado por muros.

Os ratos não percebem que estão sendo cultivados pelos gatos.

Os gatos convenceram os ratos de que eles são especiais dentro da gaiola.

Os ratos se acham até revolucionários quando pedem para que seja conservada a sua gaiola sem gatos não percebendo que pedem para serem conservados presos, sem percebem que quando pedem para conservar estão sendo conservadores.

Os ratos — tão ocupados em correr na roda que há dentro da gaiola — se esquecem que há uma academia de gatos bem na entrada da gaiola.

Os ratos não percebem que a grande parte dos conhecimentos que adquirem dentro da gaiola é para que sejam competentes ao justificar a ação dos gatos.

O sonho de muitos desses ratos é um dia ser gatos. Então os ratos elegem representantes e fazem assembleias seguindo todo o modelo usado pelos gatos.

E então os representantes dos ratos sentam-se na mesa de negociação dos gatos, e dão entrevistas à tv dos gatos manifestando sua indignação por estarem sendo molestados dentro da gaiola feita e mantida pelos gatos. Os ratos indignados alegam que foi combinado com os gatos que eles teriam autonomia dentro dos muros…ops…digo: da gaiola.

Mas alguns ratos não gostam da gaiola, preferem a cidade. E na contramão da miséria do movimento estudantil dos ratos eles lançam a pergunta:

Porque então não prendemos os gatos dentro da gaiola?

[autoria do texto é o contexto, é a situação que vivemos]

2 Responses

  1. André

    “Se achando muito rebeldes”, “se acham revolucionários”, “o sonho de muitos desses ratos é se tornar gatos”, etc. etc… Há muitos ratos que estão lá que não são cobaias, estão lá por estarem convictos de que os ratos tem que levantar, protestar, ocupar, entrar em confronto com a ordem. Que os ratos tem que se organizar e lutar juntos contra a podridão do sistema. Que os ratos juntos irão estraçalhar a ditadura dos gatos. Que tem consciência de que a gaiola é imaginária, e que é na cidade que se dará a revolução.

    Infelizmente, a hipocrisia reina.

    3 de novembro de 2011 at 3 03America/Sao_Paulo novembro 03America/Sao_Paulo 2011

  2. Coletivo Acadêmico Ciências Sociais UFRN

    Na UFRN não existe a presença oficial de militares, mas nos sentimos ameaçados e controlados pelos gatos sim, apesar de haver toda legalização do espaço por nós para nossas transgressões artística e culturais de tempo livre, estudo e lazer, temos ganhos e essa conquista se dá no enfrentamento mesmo. Mas é importante ainda lembrar que as universidades continuam servindo para um fim incompatível com a nossa realidade assim como a realidade parece ser outra fora dos muros dela.

    a mídia burguesa continua dando as cartas do jogo e prepara o terreno para entrada militar na nossa instituição, os focos de resistência se dão no dia a dia e por isso apoiamos a ocupação da USP, bem como apoiamos medidas novas para se pensar a sociedade em que vivemos, por exemplo o papel policial , eles são gatos o ratos ou porcos ou são empregados dos porcos ? e nós somos empregados de quem, dependentes de quem? subalternos de quem?

    todo apoio à rádio varzea que está OCUPANDO O LATIFUNDIO ELETROMAGNETICO!

    6 de novembro de 2011 at 6 06America/Sao_Paulo novembro 06America/Sao_Paulo 2011