OCUPANDO O LATIFÚNDIO ELETROMAGNÉTICO

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Desconectados, uni-vos! Brecht e a Teoria do Rádio

Publicamos aqui, dando continuidade ao nosso compartilhar e reflexão coletiva sobre a experiência de comunicação livre, um texto sobre as ideias e pensamento de Bertold Brecht em relação às potencialidades de participação e comunicação coletiva que o rádio propicia como instrumento para a transformação social.

O artigo foi originalmente publicado no número 60 (volume 21) da Revista do Instituto de Estudos Avançados de maio/agosto de 2007.

Brecht e a “Teoria do rádio”

Celso Frederico

Não existe nenhuma possibilidade de evitar o poder da 
desconexão mediante a organização dos desconectados?

As reflexões pioneiras de Brecht sobre o rádio estão sintetizadas num conjunto de breves artigos sobre esse então novo meio de comunicação, escritos entre 1927 e 1932, no mesmo período das “peças didáticas”.1 Em ambas as intervenções encontram-se o apelo à participação, o incentivo para que o mundo do trabalho tome a palavra. Os conhecimentos teóricos do teatro épico, diz Brecht, podem e devem ser aplicados à radiodifusão.

O novo teatro e o novo meio de comunicação caminham juntos para realizar o imperativo de interatividade, deixando para trás o antigo conceito que via a cultura como uma forma que “já está constituída” e, portanto, “não carece de qualquer esforço criativo continuado”.

O “esforço criador”, tanto no teatro como na radiodifusão, não se contentava com o “aprimoramento” dessas entidades, de abastecê-las com bons produtos, mas visava à sua transformação radical. Vale aqui lembrar a famosa passagem de “Notas sobre Mahagonny”, escritas em 1930:

a engrenagem é determinada pela ordem social; então não se acolhe bem senão o que contribui para a manutenção da ordem social. Uma inovação que não ameace a função social da engrenagem […] pode por ela ser apreendida. Mas as que tornam iminente a mudança dessa função e procuram dar à engrenagem uma posição diferente na sociedade […] é renegada por ela. A sociedade absorve por meio da engrenagem apenas o que necessita para sua perpetuação. (Brecht, 1967, p.56)

Brecht não tinha ilusões sobre a capacidade de cooptação e neutralização do sistema, e, como marxista, observou muito antes de Adorno o primado da produção sobre o consumo dos bens simbólicos ao afirmar que “é a engrenagem que elabora o produto para consumo”.

As radicais e muito criativas teses brechtianas sobre o rádio e o teatro exprimem, como não poderia deixar de ser, o momento histórico vivido pelos intelectuais alemães, ainda marcado pelo entusiasmo provocado pela revolução russa de 1917 e pela certeza de que a revolução, abortada na Alemanha em 1919, em breve triunfaria.

A agitação política do período foi acompanhada de uma intensa fermentação cultural em que se discutiam o esgotamento das formas tradicionais de se fazer arte e a busca de novas formas de comunicação. Nesse sentido, os alemães reproduziram em boa parte o debate russo sobre o novo papel da arte na sociedade a ser construída.2

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Rádio Várzea derruba avião? Diretoria FFLCH: diálogo ou repressão?

Foi tranquilo o segundo dia (19 de fevereiro de 2013) de participação da Rádio Várzea Livre na matrícula dos novos ingressantes na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH–USP). Aliás, tranquilo não é bem a palavra certa para descrever o que sentimos um dia depois de sermos atacados (coerção, vigilância, ameaças, corte de sinal da internet e tudo mais) pelos de cima.

radiolivreatacaNossa transmissão pelo 107,1 FM aconteceu novamente. A transmissão pela internet (via rádio-web), infelizmente, não. Mesmo assim, estudantes e ingressantes puderam interagir e se comunicar livremente, gerando uma rica experiência de interlocução entre pessoas de diferentes lugares, vivências e idades. O diálogo se fez presente. 

Por falar em diálogo…

Rumores indicam que a nova Diretoria da FFLCH–USP convocou uma reunião de emergência com os Representantes Discentes (RDs) sobre o tal “caso da rádio ilegal que estava funcionando na matrícula”. Parece existir, agora, uma tentativa de marcar uma reunião com a tal rádio e avisar que tudo está sendo feito “de maneira ilegal” (desrespeitando a “Constituição Federal”)  – fato este que estaria prejudicando e causando transtornos, segundo alega a burocracia acadêmica, a imagem da FFLCH–USP.

Algumas perguntas, no entanto, ficam no ar: quem está pressionando a FFLCH–USP, dizendo que a Rádio Várzea Livre deve ser fechada? Será que a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), e seu mito da interferência, tem algo a ver com essa história? E a Reitoria da USP, também está pressionando o diretor da FFLCH–USP para que a rádio livre encerre suas atividades? Ou essa coerção é fruto, na verdade, de uma ação concertada das grandes corporações empresariais-midiáticas  (os neobandeirantes) – interessadas que estão em defender a parte que lhes cabe nesse latifúndio do espectro eletromagnético? Rádio Livre derruba avião?

E por falar, ainda, em diálogo, vamos relembrar um história de não muito tempo…

iconoNo ano passado (2012). a Rádio Várzea Livre exigiu – depois de mais um ataque à nossa antena de transmissão (também sofremos sabotagens em 20112004 e 2006) – esclarecimentos da Diretoria da FFLCH–USP sobre a repressão que recaía sobre nós por desenvolvermos um projeto de comunicação livre, sem governos e corporações (religiosas/empresariais/midiáticas), na USP. Naquela ocasião, elaboramos um texto que foi lido na Congregação da FFLCH. Depois desse momento de intervenção, novas promessas de diálogo – por parte da Diretoria da FFLCH–USP – surgiram… Aí o tempo foi passando… Passando… E cá estamos nós, novamente, sendo atacados/coagidos pela nova gestão da Diretoria da FFLCH–USP.

Mas nós não iremos nos calar! Nossa luta pela comunicação livre, dentro e fora dos muros da universidade, continua!

E, até para mostrar que não iremos ser enganados por aqueles que estão interessados em sabotar a nossa experiência de autogestão e comunicação alternativa – e chamam toda essa sabotagem de tentativa de diálogo –, eis o recado que demos ano passado na Congregação da FFLCH. Vale, e muito, a pena a sua leitura – mesmo que o texto seja um pouco extenso. Contextualiza, em grande parte, a nossa luta, a repressão que sofremos e porque acreditamos e colocamos em prática o nosso projeto de comunicação livre.

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Pronunciamento do Coletivo Rádio Várzea Livre do Rio Pinheiros na Congregação da FFLCH no dia 23 de agosto de 2012

Primeiramente, gostaríamos de lamentar e agradecer. O lamento, pelos parcos minutos que temos nesse fórum. O agradecimento, pela abertura do espaço. Sabemos que a Congregação poderia ter um formato bem diferente. Mas esse não é o momento para discutirmos a respeito.

O agradecimento, por mais contraditório que pareça, se justifica pelo período sombrio na universidade, onde o diálogo, as diferenças e o sentido público, parecem estar correndo o risco de extinção. A diretora Sandra Nitrini, ao nos convidar, agiu de maneira republicana. E é isso que o seu cargo exige de quem o ocupa. O cargo é político, a postura deve ser no mínimo republicana. Como não foi republicana a retirada da antena da Rádio Várzea Livre do Rio Pinheiros em janeiro desse ano, na calada da noite [1]. Mas como foi republicana a disposição da diretora em sempre conversar conosco quando solicitada.

E é nesse sentido que queremos pautar a relação da Rádio Várzea com as instituições da Universidade. Essa lógica clandestina que tem imperado nos últimos anos apenas reforça a inversão de valores que tem ocorrido na Universidade, onde o medo da repressão amparada no discurso da lei vem calando o pensamento crítico e a prática negativa.

Vamos parar de ter medo da prisão, da perseguição e da expulsão. A lógica é essa: somos todos criminosos. Mocinho é o governador, mocinho é o reitor, é mocinho o chefe da ROTA, mocinhos são os mandatários do ministério das comunicações, o grupo bandeirantes de comunicação. É isso mesmo?

Se continuar assim, só eles não serão fichados e processados. Haja punição. Haja prisão.

Se não sairmos da lógica da lei, do legal e do ilegal, todos nós sabemos que a Universidade não recuperará o seu papel primordial de espaço crítico da sociedade.

A Rádio Várzea existe há 10 anos, no mesmo espaço.  Não será a retirada da sua antena que impedirá a sua existência.  Há 10 anos expomos dentro da universidade e irradiamos para fora dela, por meio das diversas oficinas de rádio livres e debates, em tudo quanto é lugar, o Movimento de Ocupação do Latifúndio Eletromagnético.

Há 10 anos, a rádio várzea é um espaço de formação aberto a todos. E muita gente nessa universidade já passou por ela.  Muita gente nessa universidade já participou de atividades organizadas pela Rádio Várzea. Sua posição, portanto, dentro da Universidade já está consolidada. A comunidade acadêmica apoia a existência de uma rádio livre dentro da USP e isso já foi demonstrado por diversas vezes.

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Rádio Várzea Livre no Observatório da Imprensa — A crítica à legalidade

RÁDIOS LIVRES

A crítica à legalidade

Por Rodrigo Neves em 11/12/2012 na edição 724

“A rádio Várzea é um espaço de resistência, mas, sobretudo, de reexistência. Não estamos apenas interessados em negar esse sistema moribundo, nossa luta também é propositiva, da reinvenção da vida, da transmissão criativa”.

É dessa maneira que a rádio Várzea Livre se descreve em um dos seus vários manifestos. Ocupando a frequência 107,1 FM, hoje só é possível ouvi-la dentro do prédio da História e Geografia, na Universidade de São Paulo. Há pouco mais de um ano, era possível escutá-la por toda a universidade, até a Marginal do Rio Pinheiros.

A rádio livre foi criada por estudantes da USP em 2002, durante uma greve por melhores condições de ensino. Desde então, a Várzea é autogerida por estudantes de distintas unidades da USP, emitindo sua programação a partir de uma pequena sala na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

A radiodifusão livre se diferencia das rádios comunitárias por ocupar ilegalmente o espectro eletromagnético, enquanto as outras necessitam ser institucionalizadas e seguir as regras ditadas pela Lei nº 9612, de 1998, que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária. A lei estabelece a necessidade de que as rádios comunitárias apresentem um estatuto, eleição de diretores e declaração assinada por cada um deles.

Existe um motivo político para não se institucionalizar. Para os responsáveis pela rádio Várzea, ocupar o que chamam de “latifúndio eletromagnético” é uma forma de protestar contra a concentração da mídia. “A rádio livre é uma ferramenta de luta social”, diz um dos alunos que participa da emissora. “O principal é quebrar o modelo ‘transmissor/receptor’, tornar todos mais envolvidos, fazer com que todo mundo possa se comunicar livremente”, conclui.

Silvio Mieli, professor de jornalismo da PUC-SP, concorda que as rádios livres são uma frente de luta que deve existir e, às vezes, esta é a única opção que resta. “A impressão é que gastamos muita energia com o movimento pela ocupação do espectro eletromagnético, mas quantitativamente não conseguimos muito”, diz ele. “Às vezes a ocupação do jeito que é acaba sendo mais rica só por criar uma interação com a realidade à sua volta.”

Produção e repressão

Desde sua criação, há 10 anos, a história da rádio Várzea se confunde com as diversas mobilizações estudantis e os avanços repressivos. Em 2007, suas transmissões foram feitas dentro do prédio da reitoria da USP, ocupado por estudantes em greve. Em 2006, a rádio Várzea invadiu a frequência da rádio Bandeirantes para a leitura de um manifesto em defesa das rádios livres e contra a concentração dos meios de comunicação. O ato resultou em uma denúncia, a Polícia Federal foi chamada à FFLCH e o transmissor da rádio foi confiscado.

No entanto, os participantes da rádio entrevistados pelo Observatório são unânimes em concordar que o pior golpe aconteceu em 2011. Durante a greve estudantil contra a presença da Polícia Militar no campus, a TV Band fez uma matéria sobre a mobilização dos estudantes e relembrou o caso de 2006, quando houve a invasão da frequência da rádio do grupo. Logo depois, a antena da Várzea foi retirada pela diretoria da FFLCH. Hoje, a antena só pode estar instalada dentro de uma sala, restringindo a transmissão da rádio. Os alunos já tentaram utilizar a transmissão online, mas também enfrentaram dificuldades com a rede de internet da USP.

Apesar disso, os alunos participantes da rádio continuam oferecendo oficinas de radiodifusão para movimentos sociais, como o MST. “É mais interessante multiplicar as rádios livres do que aumentar o alcance do nosso sinal”, diz um dos alunos. “O importante é que as pessoas aprendam a técnica.”

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[Rodrigo Neves é estudante de Jornalismo da ECA-USP]

Publicado emhttp://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed724_a_critica_a_legalidade


Radio Victoria, comprometida com as lutas, conquistas, tristezas e alegrias em El Salvador

Republicamos, aqui no site da Rádio Várzea Livre, uma interessante e excelente tradução realizada pelo Coletivo  Passa Palavra. Vale, e muito, a pena conhecer essa importante experiência de luta e organização.

Fica, então, essa dica de leitura!

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http://passapalavra.info/?p=61603

Radio Victoria, comprometida com as lutas, conquistas, tristezas e alegrias em El Salvador

Criada em 1993, a Radio Victoria é um projeto de comunicação para a ação, denúncia e, sobretudo, para a promoção de uma participação social e crítica.  Por Yeny Romero

San Salvador, El Salvador. A Radio Victoria nascia a 15 de Julho de 1993, parte de um processo de democratização que se desenvolvia em San Salvador após a assinatura dos Acordos de Paz de 1992. Este nascimento foi acompanhado pela Associação de Desenvolvimento Económico e Social (ADES), tendo contado com o apoio de Cristina Star, uma jornalista e cineasta norte-americana que, nos anos 80, cobriu o conflito armado salvadorenho.

A rádio iniciou as suas transmissões em Santa Marta, no oeste do país, comunidade emblemática pela sua experiência ao longo da guerra civil e, na atualidade, pela sua constante luta. Teria sido fundada por três jovens da comunidade, dedicados ao estudo e à ajuda familiar nas suas atividades produtivas. Para além do trabalho no campo, para poderem se alimentar, trabalhavam em prol da democratização da palavra, algo que, naqueles anos, constituía uma tarefa urgente.

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Rádio Alice Através do Espelho (1ª parte)

Publicamos a primeira parte de um artigo interessante (e, em muitos pontos, polêmico) que relata a importante experiência de luta e organização da Rádio Alice (Bolonha, Itália, anos 1970). O responsável por esse escrito é o Mauro Sá Rego Costa, professor da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e ativista da Rádio Kaxinawá.  Essa é a primeira parte deste artigo, que publicaremos aos poucos nos próximos dias e semanas. Podemos não concordar com tudo o que dito pelo autor, mas vale como momento de reflexão coletiva.

Relembrando o que já havíamos escrito aqui em outra ocasião, a partir dos anos de 1970, período de forte movimentação política e social autônoma, inúmeros coletivos começam a desenvolver atividades que questionavam o modelo atual de comunicação que a grande imprensa ofertava. Grande parte das reportagens produzidas pelos grandes jornais e Tvs tinham como intenção clara apenas criminalizar e deslegitimar os movimentos sociais e pessoas que estavam combatendo de forma autônoma, desde o final dos anos 1960, o capitalismo em várias cidades europeias. As rádios livres (tendo com precursora, justamente, a Rádio Alice) participam desse turbilhão de debates e ações coletivas – e é justamente isso que retrata o texto a seguir.

E, por fim e também retomando uma ideia que perpassa todas as nossas atividades, nunca é demais lembrar de que uma das melhores formas de continuarmos a renovação, crítica e superadora, de um movimento autônomo – como são as rádios livres – passa pelo conhecimento de sua história de luta e debates. Eis aí, portanto, mais um passo dessa importante tarefa coletiva.

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Rádio Alice Através do Espelho

Gilles Deleuze. Política e Poética Estóicas na Teoria do Rádio. [1]

Mauro Sá Rego Costa [2]

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ –

Rádio Alice transmite: musica, noticias, jardins floridos, conversa fiada,  invenções, receitas, horóscopos, filtros mágicos, amores, boletins de guerra, fotografias, mensagens, massagens, mentiras… (uma chamada da Rádio Alice)

Rádio Alice é uma experiência paradigmática de comunicação no contexto de um  modelo sócio-existencial-político-econômico que se materializava como projeto  nos anos 70 na Itália. Bologna em 74-77, tempo de gestação e vida de Alice, pode ser comparada à Paris de 68: um imenso laboratório ético-político construindo as bases para um mundo que virá. Sua gestação foi também movida pela publicação do primeiro dos grandes tratados políticos desse mundo que virá: Lógica do Sentido [3], de Gilles Deleuze, um livro sobre Alice.

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Atividade Coletiva de Formação Política — a história das Rádios Livres e da Várzea

Nossa Atividade de Formação da Rádio Várzea Livre — a primeira das três que programamos para junho, julho e agosto — será nesta quinta-feira, dia 28 de junho, às 18 e 30, em nossa salinha de rádio.

Nessa oportunidade, iremos ler e conversar um pouco sobre a história das Rádios Livres no Brasil, e da Rádio Várzea em particular. Para tanto, selecionamos alguns textos curtos e importantes para a história do movimento de rádios livres — que, assim pretendemos, nos auxiliarão no debate que iremos promover.

Dentre os textos escolhidos, podemos destacar (para acessá-los é só clicar no nome do próprio texto, assinalado em laranja!):

Por que calar as Rádios Livres? — esse artigo realiza, a partir de uma denúncia da repressão ocorrida pela Rádio Muda naquela ocasião, uma reflexão coletiva e crítica sobre o papel das rádios livres como experiências de luta coletiva e autogestionária. Ele cumpre, assim, o papel de pontapé inicial para a discussão acerca da história e importância das rádios livres no Brasil.

Já os textos (todos eles bem curtos, de rápida leitura) que falam um pouco de nossa história e ideias já construídas são:

Rádio Várzea: novas ondas, novas idéias — um manifesto escrito pelas pessoas que faziam a Rádio Várzea Livre acontecer em 2004.

Manifesto da Rádio Várzea Livre: QUEM COMUNICA SE ESTRUMBICA! —  um manifesto redigido em 2001 pelas pessoas que hoje fazem parte da Rádio Várzea Livre.

Fica combinado, então, que esses três primeiros textos são fundamentais para a leitura de todos nós que iremos participar dessa atividade (claro que se você não conseguir ler antes, tudo bem — é só aparecer e participar igual!).

Como complemento desse contexto, o nosso histórico de repressão estatal e empresarial também é parte importante, infelizmente, de nossa trajetória de luta, re-existência e criação. Por esse motivo, nunca é demais resgatarmos esses momentos marcantes em que, ao invés de desistir, resolvemos lutar e continuar a nossa caminhada:

Polícia Federal apreende equipamentos da Rádio Livre Várzea do Rio Pinheiros;

[RADIO LIVRE] POLÍCIA FEDERAL ROUBA EQUIPAMENTOS DA RÁDIO VÁRZEA;

e

Rádio Várzea é atacada pelo Grupo Bandeirantes!

A dinâmica proposta para essa atividade ultrapassa, em muito, a ideia de apenas lermos os textos aqui indicados. Na verdade, queremos muito mais é aproveitar esse momento de encontro e compartilhamento para conversarmos coletivamente. A história da Rádio Várzea Livre foi e é escrita todos os dias por todos nós — e, por esse motivo, todos têm muito a dizer e participar.

Como leitura complementar — textos que não necessariamente serão lidos nessa atividade que iremos promover, mas que são importantes para a nossa formação coletiva de rádios livres —, indicamos: Rádios Livres Brasil — Breve História (1ª parte);  Rádios Livres Brasil — Breve História (2ª parte); e o livro Rádios Livres: a reforma agrária no ar.

Como sempre, estão todos convidados a comparecer e participar. É só chegar.

Saudações Radiofônicas livres!

RÁDIO VÁRZEA LIVRE do Rio Pinheiros — SINTONIZE E PARTICIPE!   107, 1 FM LIVRE!


Rádios Livres: a reforma agrária no ar [Completo!]

Disponibilizamos, aqui em nosso site da Várzea, a edição completa do livro “Rádio Livres: a reforma agrária no ar” [para acessar o livro é só clicar na imagem aí ao lado, ou então aqui!].

Publicado, pela primeira vez, em 1986, esse trabalho coletivo é um dos primeiros registros históricos de fôlego do “jovem” movimento de rádios livres brasileiro — que começava a engatinhar e ganhar força nas décadas de 1970 e 1980.

O livro conta um pouco dessa história inicial do movimento de rádios livres aqui no Brasil, além de relatar também a importante experiência de luta e organização das rádios livres na Europa e América Latina.

Vale chamar atenção, ainda, para algumas preciosidades que podem ser deliciadas por todos que tiveram a oportunidade de realizar essa leitura: vocês poderão conferir a transcrição de sensacionais transmissões da Rádio Alice (da Itália) e da Rádio Xilik! (de São Paulo), além de terem acesso à vários manifestos e panfletos produzidos de forma autogestionária por inúmeras rádios livres que pipocavam pelo país naquele momento.

Para fechar com chave de ouro essa nossa apresentação, cabe dizer que o livro conta ainda com um sensacional prefácio sobre o movimento de rádios livres brasileiras do filósofo (e rádiolivrista!) Felix Guattari — que, durante a década de 1970, foi um dos principais apoiadores ativos da Rádio Alice. Nesse mesmo período, Guattari também participou de uma experiência interessantíssima nas periferias francesas, montando a Rádio Tomate (nome em homenagem aos italianos da Alice), uma rádio livre autogestionária que dava voz aos imigrantes africanos em Paris. Ou seja, imperdível esse livro!


Neobandeirantes [Rádio Várzea no Brasil de Fato]

Naquele período em que a Rádio Várzea Livre foi mais intensamente atacada pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, a notícia rapidamente se espalhou e muita gente divulgou nossa denúncia e chamado de resistência e solidariedade.

Mas, vejam só como o mundo dá voltas, ficamos sabendo recentemente de uma excelente notícia. Silvio Mieli — jornalista e professor da Faculdade de Comunicação e Filosofia da Pontifícia Universidade Católica (PUC – SP) — publicou na edição 455 do jornal Brasil de Fato (final de Novembro de 2011). um baita artigo importante reverberando a nossa denúncia e fazendo um paralelo bem legal com a ideia do que o bandeirante representou na história do Brasil.

Cabe destacar o seguinte trecho: “Além disso, se entrarmos no quesito da cobertura midiática, durante o processo de desinformação que antecedeu a desocupação da reitoria da USP, sobrou até para a Rádio Várzea Livre do Rio Pinheiros (107,1 FM), importante projeto que funciona no prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Depois de demonizarem alunos e funcionários envolvidos com os protestos em geral, a Rádio Bandeirantes exigiu o fechamento imediato da rádio livre que funciona a partir da USP“.

Vale a pena ler esse curto artigo — que espalhou, mesmo sem a gente nem saber, a sintonia e vibração da Várzea Livre por diversos acampamentos, assentamentos, ocupações e pra muita gente que também está na luta aí pelo Brasil. E, claro, agradecemos ao Silvio pelo artigo e solidariedade que ele demonstrou em relação à nossa iniciativa e luta autogestionária.

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Neobandeirantes

 A atuação da PM na USP e as discussões posteriores à tomada da reitoria lembram as ações dos nossos ancestrais, os bandeirantes

24/11/2011

Silvio Mieli

Não nos livramos facilmente dos arquétipos históricos. A atuação da PM na USP e as discussões posteriores à tomada da reitoria lembram as ações dos nossos ancestrais, os bandeirantes.

O bandeirismo, fenômeno tipicamente paulista – patrocinado por senhores de engenho, donos de minas e comerciantes – está impregnado no corpo e na alma paulistana. A “elite” daqui se orgulha de ser herdeira dessa “brava gente”. A pegada bandeirante pode ser reconhecida na forma agressiva como o paulista ocupou o seu território; na avidez como explorou os seus recursos naturais; na arrogância expansionista (a “locomotiva do país”); no modo desumano e preconceituoso como sempre tratou aqueles que construíram a sua riqueza (chamados pejorativamente de “nortistas”).

No fundo, alguns dos principais problemas da USP (autonomia, gestão, segurança, administração do espaço público) compõem o microcosmo das mazelas do próprio estado de São Paulo. Só que a comunidade paulista, ao invés de aproveitar a oportunidade oferecida pela crise uspiana e ampliar o debate em torno da falta de democracia interna (que leva setores da universidade a radicalizarem a sua postura); na gestão incompetente de uma instituição pública; na restrição do acesso ao campus nos finais de semana, reduziu a riqueza do debate à intervenção da PM, incapaz de lidar com as particularidades de uma universidade. Além disso, se entrarmos no quesito da cobertura midiática, durante o processo de desinformação que antecedeu a desocupação da reitoria da USP, sobrou até para a Rádio Várzea Livre do Rio Pinheiros (107,1 FM), importante projeto que funciona no prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Depois de demonizarem alunos e funcionários envolvidos com os protestos em geral, a Rádio Bandeirantes exigiu o fechamento imediato da rádio livre que funciona a partir da USP.

Há muito tempo, a Bandeirantes, fazendo jus ao nome, parte para o ataque na caça aos movimentos sociais, estejam onde estiverem. Através de reportagens especiais, editoriais virulentos e vinhetas alarmantes ao longo da programação, boicotam diuturnamente qualquer iniciativa que coloque em risco o modelo neobandeirante como, por exemplo, a campanha contra a demarcação da Raposa Serra do Sol e o apoio irrestrito às mudanças no Código Florestal. Também repetem o mantra que “rádio pirata” derruba avião, boicotam qualquer tentativa de desarmamento e decretam que o MST não é um movimento social.

O sonho dourado da elite paulistana, que se considera moderna e cosmopolita, seria assistir à entrada triunfal de Domingos Jorge Velho, Antônio Raposo Tavares, Fernão Dias Pais, Manuel Borba Gato, espingardas em empunho, pela várzea do Rio Pinheiros ou então pela Avenida Paulista. Finalmente “colocariam a casa em ordem”.

Silvio Mieli é jornalista e professor universitário.


Como fazer um fanzine?

Publicamos, logo abaixo, um vídeo bem interessante e criativo  — que tem, como principal intenção, ensinar a produzir um fanzine de forma simples e didática. Nós, aqui da Rádio Várzea Livre, já utilizamos algumas vezes essa forma autogestionária (faça você mesmo  — façamos todos, coletivamente!) de linguagem e comunicação para a divulgação de nosso coletivo e atividades que tocamos por aí.

Em breve (quem sabe e se tudo der certo…), nós iremos digitalizar os nossos zines antigos da Várzea — além de começar a pensar na elaboração e distribuição de novos materiais (zines) em nossas atividades e oficinas.

O vídeo está em espanhol  — mas, como vocês poderão conferir, a nossa língua irmã não atrapalha em nada a mensagem que está sendo passada. Esse vídeo foi elaborado pelo pessoal do Jerseys para los Monos — um pequeno coletivo das Astúrias e Madri (Espanha), que distribui diversos zines de forma independente. Cabe chamar atenção ainda, e pra fechar, para a interessantíssima cena atual de zines da América Latina. Sendo um pouco injusto com a riqueza de tantos trampos por aí, fica aqui apenas um único exemplo (de um projeto bem legal, lá do Equador): a Fanzinoteka.

É isso, confiram aí o vídeo!

Saudações Radiofônicas livres!

RÁDIO VÁRZEA LIVRE do Rio Pinheiros — SINTONIZE E PARTICIPE!   107, 1 FM LIVRE!


Rádios Livres Brasil — Breve História (1ª parte)

Nesses tempos de preparação para a Semana de Resistência Osama Bin Rap “Holocausto Urbano” — uma semana de debates pesados e sensacionais, que se encerrará na sexta-feira (dia 18 de maio) com uma grande festa para as pessoas que curtem ritmo e poesia —, pensamos aqui que seria importante também divulgar uma breve visão histórica, escrita por Rodney Brocanelli,  sobre a atuação das rádios livres no Brasil. Essa é a primeira parte deste artigo, que publicaremos aos poucos nos próximos dias e semanas.

Nunca é demais lembrar que, como já dissemos aqui sobre a história das rádios livres europeias, uma das melhores formas de continuarmos a renovação, crítica e superadora, de um movimento autônomo passa pelo conhecimento de sua história de luta e debates. Eis aí, portanto, uma parte dessa tarefa coletiva.

Fica aqui um lembrete (AVISO IMPORTANTE!), que tem tudo a ver com esse nossa luta autogestionada, sem financiamento e sem parcerias com instituições privadas: Durante todos os dias da Semana do Osama Bin Rap estaremos recolhendo roupas, brinquedos, alimentos e produtos de higiene pessoal para os guerreiros e as guerreiras da Favela do Moinho! Não é ingresso para entrar, mas é importante ajudar a rapa que ta precisando.

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INTRODUÇÃO

O texto a seguir não tem a pretensão de contar a história completa da radiodifusão livre no Brasil. Ele foi escrito em 1998, para um trabalho de faculdade. Além do mais, é analitico em demasia. Porém, sua publicação pode servir para ser um ponto de partida a eventuais pesquisadores que desejam saber mais sobre o tema. Volta e meia recebo mails de estudantes de Comunicação Social solicitando informações a respeito do tema. Não há grande bibliografia disponível e a obra da qual usei grande parte das informações, “Rádios Livres, O Outro Lado da Voz do Brasil” sequer foi lançado em livro por razões que desconheço, além de estar desatualizada.

Um mérito desse texto, ao meu ver, é contar, ainda que de passagem, um pouco da história da Rádio Onze, emissora da qual fiz parte entre 1995 e 1997.

Como já disse, esse texto é de 1998, pretendo em breve retomá-lo do ponto de onde parei e contar o que aconteceu de lá para cá. Críticas e sugestões são muito bem-vindas. Boa leitura. (Rodney Brocanelli, inverno de 2001)

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Outro 1º Cartaz [de muitos!] da Semana de Resistência Osama Bin Rap — “Holocausto Urbano”

Clique no cartaz para aumentar a imagem e facilitar a leitura! Confira aqui o primeiro cartaz e aqui a programação da Semana.


[RZO e Várzea] Bom som periferia… É pelo sistema que trabalham as grandes rádios!

Deixamos vocês aí com o som “O Rádio“, um rap muito bom do RZO (ou Rapaziada da Zona Oeste) e sua família. Como quem tá ligado já sabe faz tempo, o RZO, desde os anos de 1980 — quando surgiram em Pirituba, zona oeste de São Paulo —, vem mandando seu recado e fazendo acontecer.

Essa música, que vale conferir a letra que segue logo abaixo, é de uma atualidade inquestionável — e tem tudo a ver com nossa luta pelas ondas sonoras livres…

Fica aqui o salve da Rádio Várzea Livre ao RZO! Tamojunto!

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O Rádio

Mudar de radio, eu ja não aguento mais
Ouvir tanta merda
Poucas opções o fm ja não presta
Um veículo poderoso e importante
É ignorante, sempre quer mais bastante
Aonde só tem oportunistas, só imcopetente
Atrasam nossa, gente mente duente
Me compreende, me entende
Querem foder nossa mente
Eu to legal (senti), eu vou seguir em frente
É coisa do sistema demora pra agradar
Faz de tudo pra dominar,
Mais aqui não rola mais…
Ja deu de mais to legal, eu quero é mais
Eu quero som da periferia (som da periferia)
E agora me diga quem toma bica…
Quem fica rodando a pipa
E agora me diga quem fica com a grana
Quem fica ???
E você aí parado escutando e chega
A conclusão que não tem nada a
Ver com o seu cotidiano…

Bom som periferia
(mudar de radio já estamos enjuados…)
Bom som periferia
(som da periferia é lógico…)
Bom som periferia
(mudar de radio já estamos enjuados…)
Bom som periferia
(som da periferia é lógico…)

(mais…)


FESTA DA GRADE — dia 30 de março, sexta-feira, a partir das 22 horas…

Para marcar de forma PESADA a volta das transmissões da Rádio Várzea Livre 107,1 FM em 2012, realizaremos na sexta-feira, dia 30 de março, uma festa! A partir das 22 horas estaremos presentes no Prédio da História e Geografia da FFLCH—USP para fazer acontecer esse dia bem especial.

Muitos foram os boicotes e as sabotagens que sofremos nesses últimos meses — mas, mesmo assim, estamos de pé.

Rádio Livre Alice (lá da Itália, que funcionou durante a década de 1970 — uma dessas primeiras experiências sonoras livres que se tem notícia), sempre nos ensinou que “a prática da felicidade torna-se subversiva quando ela é coletiva”. Sendo assim, convidamos vocês para estarem presentes nessa festa – sejam bem-vindos!

E como vem se repetindo nos últimos anos — mantendo a tradição de nossa família sem propriedade —, a FESTA DA GRADE vai ser o espaço onde serão apresentados os novos (e velhos) programas e sons que serão propagados pelo ar da Várzea do Pinheiros neste ano 2012. Essa é a única grade que liberta sua mente e expande sua percepção — além de sabotar o raciocínio daqueles que sempre pensam (e ouvem) o mesmo, o de sempre, sempre igual…

O que vai rolar:

— Discotecagem dos Programadores da Várzea

— Cerveja

— Destilados

Vários programas da Rádio Várzea já confirmaram sua presença na discotecagem da FESTA DA GRADE:

— Chico Buarque é o caralho
— Suely em Chamas
— Aleatórias
— Pograma
— Pulo da Pantera
— Escalafobético
— Yas Haind…
— Várzea Sertanojo
— Maldito Sudaca
— Mandeila

A festa é de graça. É só colar, conversar, compartilhar e dançar…

Não tememos a ADM FFLCH, a Reitoria, a PF, a PM, a ANATEL…

Pode vim gambé, paga pau!

SEM POLÍCIA, SEM MALÍCIA…

Porque aqui é assim: na Rádio Várzea a gente sabe quem trama e quem tá com a gente…

Saudações Radiofônicas livres!

RÁDIO VÁRZEA LIVRE do Rio Pinheiros — SINTONIZE E PARTICIPE!   107, 1 FM LIVRE!

http://varzea.radiolivre.org/

www.radiolivre.org

FORA POLÍCIA DO MUNDO!


SABOTAGEM: A guerra não vai acabar!

Segue comunicado feito pelo coletivo Rádio Várzea Livre do Rio Pinheiros 107,1 fm.

Sabotagem: A guerra não vai acabar.

Salve povo que frequenta a USP!

(Quem dera se o povo realmente frequentasse a USP…)

A sequência dos decretos e ataques impostos pelo Reizinho Rodas a vários setores resistentes da universidade tardou, mas chegou diretamente a um coletivo inteiro.

Respaldada pelo verme Mor, a burocracia verminosa desferiu um golpe que pensava ser fatal no coletivo Rádio Várzea Livre: ROUBOU nossa antena e PICOTOU os cabos que a conectavam ao nosso transmissor. Tudo feito na calada da noite, às escondidas, típica atitude de verme.

Mas nós sabemos quem são – pobres vermes, não sonham que a força de um coletivo não está nas máquinas, ou em suas tecnologias, mas sim nas pessoas que o compõem e o constroem.

Entre tantos golpes e em meio ao clima de intimidação e amedrontamento “legal” que os insetos encasulados da burocracia se profissionalizaram em executar, fica uma certeza em forma de advertência: RÁDIO VÁRZEA LIVRE 107,1 FM NO AR!

E tudo isso justamente no ano em que completamos 10 anos de batalhas diárias, dentro e fora do mundo fictício da academia; 10 anos de dificuldades financeiras e materiais (porque é sempre bom destacar: ninguém ganha dinheiro com porra nenhuma dentro desse coletivo!); 10 anos de parcerias e amizades imprescindíveis para a formação de um entre tantos espíritos coletivos e horizontais importantes para a construção de UM mundo, entre tantos que ainda precisam ser construídos e/ou revelados.

A Rádio Várzea Livre não foi vencida, estamos de pé e resistimos! Tamo aí, na pista, na arena. Pé de breque atrasa lado não vai agüentar, porque além da disposição, nosso combustível é a repressão.

Quando um não quer, vários não brigam. Mas já que vocês estão pedindo… Vamo pro arrebento! Porque 2012 começou pesado e só promete piorar.

SEM POLÍCIA, SEM MALÍCIA…

Saudações Radiofônicas livres!

Rádio Várzea Livre do Rio Pinheiros 107,1 FM.

NOTAS:

**** Desculpem a ênfase  no termo verme e afins, mas é porque tá embaçado de conter a infecção.

**** Motivo do Comunicado:  No segundo semestre do ano de 2011, em meio aos incidentes com a PM (Paus Mandados), a grande imprensa e a reitoria aproveitaram o momento politico para reafirmarem sua perseguição a Rádio Varzea (veja no link). Contudo, todo verme age somente às escondidas; logo a burocracia verminosa (administração central e fefelenta) ROUBOU, sim roubou, pois sem mandado nenhum, retiraram  nossa antena, destruíram o mastro que sustentava a mesma e não contentes picotaram todos os fios que ligavam o transmissor a antena.

Refizemos o mastro, pois como o comunicado diz a repressão é o nosso combustivel. Mas, quando o mesmo ainda estava por terminar, pessoas da Administração Central da FFLCH quebraram novamente nosso mastro, novamente às escondidas.

Com o aumento da repressão vem o aumento da resistência.


Mais uma Rádio Livre no ar, para sabotar os raciocínios dos que pensam sempre o mesmo…

Na semana passada recebemos essa excelente notícia, então vale aqui reproduzir a reportagem publicada originalmente no sítio do Centro de Mídia Independente.

Cabe dizer, antes, que – como o próprio texto abaixo assinala – vocês podem ouvir essa mais nova rádio livre pela internet também. Em 2012, assim pretendemos, a Rádio Várzea Livre também irá retomar suas transmissões pela rede mundial de pessoas e computadores.

Por fim, caros amigos e amigas da Rádio Caruncho, fica um recado aqui da Várzea: nós também, nesse espírito de colaboração e felicidade, estamos com vontade de fazer parte dessa rede com as mais diversas rádios, como vocês bem citam no comunicado que publicamos a seguir. Afinal de contas, como bem disse Felix Guattari em seu já clássico texto sobre a Rádio Livre Alice (lá da Itália), “a prática da felicidade torna-se subversiva quando ela é coletiva”. Sendo assim, tamo junto – e sejam bem-vindos!

***

Cachoeira do Sul, município de cerca de 85 mil habitantes situado na região central do Rio Grande do Sul conquista a sua primeira rádio livre. A Caruncho FM Livre pode ser sintonizada a partir das dez da manhã do dia 26 de novembro no rizoma de rádio livres (radiolivre.org) e pretende levar aos ouvintes uma programação composta basicamente por atrações de cunho cultural e informativos de movimentos sociais, que ainda estão sendo apresentados a ideia.

Com o objetivo de levar informação sem “rabo preso” e sem vínculos com organizações políticas e religiosas, como é comum nos meios de comunicação tradicionais do município, a Caruncho tem na produção voluntárixs que pensam que a informação deve ser democratizada e jamais sofrer censura ou edição tendenciosa, o que também não é raro em Cachoeira do Sul.

A ideia da rádio surgiu com a experiência de alguns voluntários junto a Rádio Tarrafa FM Livre de Florianópolis e ao CMI da capital catarinense. Nesse espírito de colaboração a Caruncho entrará em rede com as rádios Tarrafa, Muda e Antena Negra, em horários variados.

A programação do coletivo de mídia alternativa ainda não está fechada e colaboradorxs estão sendo aceitxs. O contato com a Caruncho pode ser feito pelo e-mail: radiocaruncho@riseup.net

Para ouvir acesse o servidor de streaming do Rizoma de Rádios Livres: http://orelha.radiolivre.org:8000


Rádio Várzea Livre presente no Seminário Espectro, Sociedade e Comunicação — ESC, Campinas-SP.

Entre os dias 1 e 2 de dezembro (quinta e sexta-feira agora!) a UNICAMP sediará o Seminário ESC (Espectro-Sociedade-Comunicação). O grande objetivo desse espaço é promover debates — com a participação ativa de pesquisadores, movimentos, e representantes da área — sobre o espectro eletromagnético. Seus usos, formas de organização e gestão, políticas e disposições jurídicas, além do status quo que o permeia, serão colocados em pauta em rodas de conversa.

Na medida em que técnicas e políticas da comunicação avançam ou retrocedem, o conhecimento e o debate sobre seu status quo, suas disposições jurídicas e suas dinâmicas organizacionais emergem como fundamentais para o avanço de uma sociedade que se quer soberana, autônoma e descolonizada.

Com a intenção de aprofundar tais temas, chamamos um seminário amplo, contando com variadas perspectivas para não somente pensar, mas principalmente propor políticas e estéticas para o gerenciamento do espectro eletromagnético e suas consequências para as comunidades sociais. Bem vindo ao esc 2011.

A organização desse balaio todo (que escreveu esses parágrafos assinalados em itálico) está nas mãos do Pesc (Pensadores do Espectro) e Preac-Unicamp (Pró-reitoria de Extensão da Universidade Estadual de Campinas). Todas as atividades ocorrerão na Casa do Lago, UNICAMP, com debates às 14h e às 19h.

O evento também será transmitido on-line — essa é uma boa pedida para àqueles que não poderão estar na UNICAMP por esses dias. Maiores informações é só acessar o site do Seminário: http://www.preac.unicamp.br/esc/

Logo depois, no sábado e domingo (03 e 04 de dezembro), a nossa irmã Rádio Muda convida à todos e todas para a programação lado b do ESC. Vale, e muito, a pena comparecer e participar!

Alguns integrantes do Coletivo da Rádio Várzea Livre estarão presentes no Seminário ESC e também no lado b proposto pela Muda. É só colar, conversar, compartilhar, pensar e agir juntos… Tamos aí!


A ANATEL e o mito da interferência

Nesses tempos de criminalização das lutas sociais e práticas subversivas — com o Grupo Bandeirantes, a Anatel e a Polícia Federal atacando fortemente as rádios comunitárias e livres (exemplos, só nesse ano: Rádio Várzea Livre, Rádio Pulga/Rio de Janeiro e a Rádio Livre Muda/Campinas) —, nada melhor do que alimentar a mente com leituras que são verdadeiros combustíveis para a nossa ofensiva contra àqueles que não tiram o olho do ouro e da rapadura…

Publicamos, a seguir, um pequeno trecho da Dissertação de Mestrado de Cristiane Dias Andriotti — “O Movimento das Rádio Livres e Comunitárias e a Democratização dos Meios de Comunicação no Brasil” —, apresentada em 2004 ao Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). A importante pesquisa de Cristiane (que também participou de várias atividades e programas da Muda) lança um olhar histórico sobre os principais projetos de democratização dos meios de comunicação que estiveram em jogo durante o período (metade da década de 1980) correspondente ao fim da Ditadura Civil-Militar no Brasil.

Nós aqui da Rádio Várzea Livre já estávamos há tempos com vontade de publicar no blog vários trechos de seu estudo — buscando, com esse compartilhar das reflexões apresentadas por Cristiane, entender melhor os discursos (suas convergências e divergências) e ações que pautam a apropriação das tecnologias de comunicação pelos movimentos populares. Nosso interesse nessa conversa a partir da pesquisa de Cristiane cresce ainda mais — principalmente se levarmos em conta que seu estudo tem como foco o papel Rádio Livre e Comunitárias na consolidação da comunicação democrática no Brasil.

É isso. O tema do texto está indicado no seu próprio título — fala basicamente sobre os interesses que estão subjacentes aos discursos da ANATEL e da ABERT (Associação Brasileira de Empresários de Rádio e Tv) para justificar o fechamento de milhares de rádios comunitárias e livres do país. Vale a leitura e a discussão (o texto está aí, logo abaixo)! Em breve, nós publicaremos outros capítulos dessa pesquisa firmeza…

***

A ANATEL e o mito da interferência.

Na maioria dos discursos políticos analisados neste trabalho, a questão das apropriações populares de transmissores de rádio é problematizada de duas formas: uma relativa ao limite de freqüências disponíveis no espectro radiofônico e a outra relativa às interferências. Esses dois “problemas” fundamentam a repressão às apropriações ilegais do espectro. Atualmente a questão das rádios “piratas” interferindo no sistema de segurança pública e praticando um “crime” contra a sociedade é o argumento mais utilizado. O argumento sobre as limitações do espectro, com a proximidade da viabilização para implantação da chamada “conversão digital”, cai em desuso. No atual sistema “analógico” de radiodifusão, esse argumento desemboca nos mesmos pressupostos que originaram o movimento de rádios livres no Brasil: a da racionalização das freqüências dispostas no dial, para a criação do modelo público garantido pela Constituição Federal [1]. O discurso da interferência é o mais utilizado por supostamente exigir um conhecimento técnico especializado, o qual os agentes da ANATEL devem dispor para que possam justificar as investigações e apreensões que realizam sobre as rádios “ilegais” que interferem na ordem pública.

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Uma gaiola saiu à procura de um gato ou: Quando os ratos pedem para serem livres dentro da gaiola

Uma gaiola saiu à procura de um gato.

(ou: Quando os ratos pedem para serem livres dentro da gaiola)

Na situação em que a verdade é um momento do que é falso, o ficcional toma o lugar do real.

Aí então os ratos presos na gaiola pedem para que os gatos só cacem (matem, torturem, prendam) os ratos que estão fora da gaiola.

Os ratos — se achando muito rebeldes — querem ser livres dentro das sua prisão.

Os ratos não entendem que é impossível ser livre cercado por muros.

Os ratos não percebem que estão sendo cultivados pelos gatos.

Os gatos convenceram os ratos de que eles são especiais dentro da gaiola.

Os ratos se acham até revolucionários quando pedem para que seja conservada a sua gaiola sem gatos não percebendo que pedem para serem conservados presos, sem percebem que quando pedem para conservar estão sendo conservadores.

Os ratos — tão ocupados em correr na roda que há dentro da gaiola — se esquecem que há uma academia de gatos bem na entrada da gaiola.

Os ratos não percebem que a grande parte dos conhecimentos que adquirem dentro da gaiola é para que sejam competentes ao justificar a ação dos gatos.

O sonho de muitos desses ratos é um dia ser gatos. Então os ratos elegem representantes e fazem assembleias seguindo todo o modelo usado pelos gatos.

E então os representantes dos ratos sentam-se na mesa de negociação dos gatos, e dão entrevistas à tv dos gatos manifestando sua indignação por estarem sendo molestados dentro da gaiola feita e mantida pelos gatos. Os ratos indignados alegam que foi combinado com os gatos que eles teriam autonomia dentro dos muros…ops…digo: da gaiola.

Mas alguns ratos não gostam da gaiola, preferem a cidade. E na contramão da miséria do movimento estudantil dos ratos eles lançam a pergunta:

Porque então não prendemos os gatos dentro da gaiola?

[autoria do texto é o contexto, é a situação que vivemos]