OCUPANDO O LATIFÚNDIO ELETROMAGNÉTICO

Archive for outubro, 2011

Rádios bolivianas em SP unem comunidade e se ocultam para driblar fiscalização

Continuando as nossas andanças e buscas pela rede, nos enviaram esse interessante texto de final de 2007 — publicado originalmente na página de notícas do Portal UOL. Mesmo não concordando com um certo viés de ilegalidade e criminalização que perpassa a terminologia usada pelo repórter no início de seu artigo, a descrição das relações de sociabilidade forjada e reforçada pelas atividades da comunidade boliviana de São Paulo é extremamente rica  — e evidencia a importância cultural e política das rádios livres, piratas e comunitárias. Chega de introdução por aqui — já que nossa ideia é que vocês leiam a reportagem, debatam entre si e conosco aí nos comentários ou nas suas próprias (e nossas…) rádios livres.

E, para terminar mesmo esse papo inicial, já que o autor chama a atenção para a forte migração boliviana e seu engajamento nas atividades têxteis (sofrendo, na maioria das vezes, com as péssimas condições de trabalho e remuneração), fica a sugestão final — para quem quiser entender mais sobre o assunto e conferir a participação das multinacionais de roupa nesse processo — para que vocês leiam o artigo Tramas da exploração: migração boliviana em São Paulo, de Bruno Miranda e Taiguara (publicado originalmente no site do Coletivo Passa Palavra).

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Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo

As rádios piratas são tão escondidas como as oficinas de costura. A oculta comunidade boliviana em São Paulo se refugia diante de fios e agulhas em jornadas de 17 horas, seis dias por semana (só no domingo eles são vistos nas ruas centrais). A concentração deixa só os ouvidos livres da tensão para não errar e ganhar R$ 1,50 por peça finalizada.

“Meteoro FM, 107.5, porque somos la diferencia en su sintonia en la capital paulista”, retumba o slogan da estação de maior alcance, ouvida até na região da avenida Paulista e irradiando desde o Bom Retiro. No total, são quatro rádios levando notícias, música, novelas, anúncios, programas esportivos e palavras de consolo em espanhol para os mais de 100 mil imigrantes.

Clandestinamente, as antenas, os estúdios e o lugar no dial se instalaram na vida da cidade, mas desaparecem de tempos em tempos para driblar a fiscalização.

A mais antiga em funcionamento, a Infinita FM (106.7) saiu do ar na última semana, justamente quando voltou a ser sintonizada a rádio Galáctica (105.5). “Vocês estavam desaparecidos”, brincou ao vivo a ouvinte Silvia, da oficina Los Leones de Penha, que telefonou para a estação para pedir que tocassem sua cumbia preferida da banda Los Culpables. “Sim, tivemos uns probleminhas, mas 2008 vai ser bem melhor”, respondeu o locutor Lobito. Há ainda a FM Melodia, captada apenas na Casa Verde e cercanias.

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Rádios livres e comunitárias: A reforma agrária do ar – Revista Sina

Nessas buscas da vida e da rede, achamos esse texto recente (fim de agosto de 2011) aí — publicado originalmente na página da Revista Sina. Assim, decidimos compartilhar aqui esse artigo — para que todos possam ler, pensar e agir coletivamente! Para quem quiser pensar um pouco, e entender melhor, as convergências e as diferenças entre as Rádios Comunitárias e Rádios Livres, fica a dica desse texto aqui.

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Rádios livres e comunitárias: A reforma agrária do ar

Por  João Guató, especial para Sina

As rádios comunitárias autorizadas ou não estão realizando uma verdadeira reforma agrária do ar no Brasil. Elas são na atualidade meios de comunicação de massa que buscam preencher “espaço” vazio com conteúdos populares de interesse da população.

riadas com o modelo de “rádio é serviço” os ouvinte tem a opções niveladas pelo chamado gosto médio. É no contexto da transgressão política e diversão dos adolescentes que as rádios livres e comunitárias nasceram no Brasil e no mundo por mãos da sociedade civil organizada ou não. Muitas delas nasceram sem a pretensão de “conscientizar” ou realizar algum tipo de “contra informação”, mas simplesmente representar mais uma ação legítima do direito a liberdade de expressão e de comunicação.

Na semana passada, quinta-feira, 25 de agosto, as rádios comunitárias em todo o Brasil realizaram um dia de mobilização nacional. No Brasil entre as licenciadas, esperando autorização e as chamadas rádios livres têm cerca de sete mil emissoras.

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Como montar uma Radio Livre — Rádio Tarrafa

Nossos amigos e amigas da Rádio Livre Tarrafa, lá de Florianópolis (Santa Catarina), produziram tempos atrás esse belo, informativo e importante vídeo sobre o processo coletivo de se montar uma rádio livre. Vale, e muito, a pena conferir o material que agora re-publicamos (já que retiramos esse vídeo do site do Passa Palavra).

Força para todas as Rádios Livres do mundo inteiro!


Rádio Livre derruba avião?

Tempos atrás re-publicamos aqui o artigo Por que calar as Rádios Livres?, de autoria do Coletivo Passa Palavra. Como dica boa nunca é demais, fica aqui nossa sugestão para que vocês leiam (ou re-leiam) essa importante reflexão.

Naquela ocasião, entretanto, esquecemos de publicar um box que estava no final do artigo e que, de forma simples e didática, desmistificava esse papo de que as rádios livres e comunitárias atrapalham os vôos e podem chegar ao ponto de provocarem acidentes aéreos. Assim, para reparar esse nosso lapso de memória, e também levantar novamente esse importante debate, publicamos o trecho que faltava.

Porque aqui é assim: na Rádio Várzea a gente sabe quem trama e quem tá com a gente…

Rádio Livre derruba avião?

Conforme um acordo internacional (RECOMMENDATION ITU-R IS. 1009-1), que a Anatel acolheu e adaptou através da norma 03/95, a comunicação aeronáutica opera na seguinte faixa de freqüência do espectro eletromagnético: de 108 MHz a 137 MHz. Sempre dentro desta freqüência, a comunicação aeronáutica fica, então, divida em 3 sistemas:

– ILS (Instrument Landing System Localizer): guia as aeronaves em procedimento de aproximação e aterrissagem;
– VOR-VHF (Omnidirectional radio range): conhecido também como radiofarol, fornece dados sobre a Radial da aeronave relativamente a algum ponto terrestre de localização conhecido;
– COM-VHF (Communications equipment): possibilita a comunicação de voz entre a tripulação da aeronave e os controladores de vôo.

Os transmissores de radiodifusão FM, de fato, têm o potencial de emitir sinais que coincidam com a faixa aeronáutica; o que constitui um grupo de problemas. Isto, porém, não significa que efetivamente o façam, pois o efeito só ocorre em situações de má consistência técnica, algo raro nos transmissores fabricados hoje em dia, e teoricamente inexistente em transmissores homologados pela Anatel.

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Manifesto da Rádio Várzea Livre

QUEM COMUNICA SE ESTRUMBICA!

Por qualquer que seja o meio ou maneira, comunicar é inerente ao ser humano. Lutamos pela nossa liberdade de expressão como se tentássemos escapar de leões famintos. E embora este seja um direito nosso, assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, os leões seguem impunemente tocando o terror. São eles, os donos do poder, monopolizadores da mídia, latifundiários do ar, políticos, padres e pastores, cínicos de toda espécie. E nós somos apenas criaturas alegres e indesejáveis ocupando os meios, movendo-nos.

É verdade que a parafernália tecnológica das grandes emissoras de TV, rádio, jornais e mega portais da internet não comunica. Para nós, comunicar implica o diálogo horizontal entre as pessoas. A troca de experiências e de conhecimento é o que move o ideal de uma comunicação livre, onde debates e manifestações ignorados pela grande mídia encontram o seu canal de transmissão. A profusão de informações que se acumulam a partir de um único emissor tem lógica irracional, monocultural, servindo apenas ao controle capitalista das massas e à desinformação do povo.

Negamos as relações hierárquicas nos meios de comunicação livre. Não há editor chefe ou patrão que dite o conteúdo a ser veiculado. Rejeitamos a verticalidade nas decisões do coletivo, nossa prática é autogestionária, nossa rádio é livre e, principalmente, nosso microfone é aberto a qualquer um que queira fazer o seu programa, irradiar, tomar a palavra.

Não temos fins comerciais, partidários ou religiosos. Não aceitamos jabá, patrocínio ou financiamento. Não somos o fim, somos o meio.

Procuramos criar condições para uma experiência de atuação direta. A ideia é “produzir recebendo” e “receber produzindo”, uma via de mão dupla, onde somos ao mesmo tempo programadores e ouvintes, emissores-receptores. Não aceitamos a dominação cultural que nos querem impor os meios comunicação comerciais. Fizemos florescer um canal livre no espectro eletromagnético! A rádio está pronta para a apropriação das pessoas comuns, para realização de seus desejos, suas utopias.

Para quem se coloca politicamente diante da sociedade, a comunicação livre se realiza como uma atividade anticapitalista, pois nega o modo de produção e manutenção das relações sociais no sistema. A rádio livre subverte essa lógica e prova que outro modelo é possível, é urgente. Faça você mesmo ou morra!

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Entrevista sobre a Semana de Resistência Osama com a banda argentina Mundanos

No último Festival de Resistência Osama Bin Reggae — que teve como tema, esse ano de 2011, “Quem é o terrorista” — tivemos uma novidade e presença especial: dessa vez, para nossa sorte, contamos com a bela participação dos nossos hermanos argentinos da banda Mudanos Rock Viajero.

Além de marcarem presença para tocar no dia do Festival, eles também acompanharam alguns debates e discussões que promovemos por toda aquela semana.

Como tudo que é bom dura pouco, eles já voltaram para as terras portenhas – mas, mesmo assim, o contato segue estabelecido e a nossa irmandade só aumenta…

Daí que recebemos com muita surpresa e alegria a entrevista que o Mundanos deu para o site El lado oscuro del rock, contando — entre outros temas — como foi sua estadia no Brasil, o que eles acharam da Semana do Osama  e como foram recebidos pela galera que ouviu sua música.

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Rádio Insurgente: Voz de los Sin Voz e EZLN – dialogando e transmitindo desde las montañas del sureste mexicano

A Revista Rebeldia – principal publicação sobre o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) – divulgou em 2011, em suas edições número 77 e 78, algumas entrevistas que a Rádio Insurgente: Voz de los Sin Voz realizou recentemente com os integrantes do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena (CCRI) e das tropas do EZLN.

A principal questão que estava em jogo nessas várias entrevistas foi assim resumida pelos companheiros e companheiras da Rádio Insurgente (pedimos licença para reproduzirmos esse trecho em nossa língua-irmã, de fácil entendimento com um pouco de esforço…):

¿Por qué estás aquí? Podrías estar en tu pueblo sembrando maíz, criando hijos; o podrías estar trabajando en el gobierno como promotor de algo o en cargada de algo; o podrías estar en um partido político buscando cargo en el partido, en el gobierno o en los dos. Entonces, ¿por qué estás aqui en el EZLN?

Os resultados das conversas podem ser conferidos a seguir:

¿Por qué estamos aquí? Primera de varias partes http://revistarebeldia.org/revistas/numero77/02porqueestamos.pdf.

¿Por qué estamos aquí? Segunda partehttp://revistarebeldia.org/revistas/numero78/03porque_estamos_aqui_ii.pdf.

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debate: rádios livres X monopólio

Debate organizado pela Rádio Xiado 90,1 FM Livre, na PUC-SP em outubro de 2003.

O tema do discussão: rádios livres contra o monopólio dos meios de comunicação no Brasil.

Pela democratização da comunicação e liberdade de expressão!
Viva o verão de 1982 em Sorocaba, quando mais de 100 emissoras FM foram ao ar!
Viva também a Rádio XILIK, que atuou na PUC no anos 80.
Comunicação livre!

Participação: Chico Lobo, José Arbex Jr. e Armando Coelho Neto
Mediação: Rogério Borovik / Marius DarK
Realização: Rádio Xiado – Outubro/2003


roubo na rádio pulga!

por que querem calar as rádios livres? vejam a ANATEL roubando o transmissor da PULGA, radiolivre com mais de 21 anos, instalada na UFRJ, Rio de Janeiro.

Força à Pulga!
O sistema vai se coçar!
ONDAS LIVRES