OCUPANDO O LATIFÚNDIO ELETROMAGNÉTICO

Archive for Janeiro, 2013

Assentamento Milton Santos – a luta continua!

MG_6631-1024x682A luta continua para as famílias do Assentamento Milton Santos. Depois de doze dias de luta e ocupações pela cidade de São Paulo, assentados e apoiadores retornam ao Milton Santos e seguem em luta com toda disposição e dignidade. Para entender um pouco sobre essa nova etapa de luta que se inicia agora, recomendamos a leitura desse artigo do Passa Palavra – que dá uma boa dimensão dos últimos acontecimentos.

Nesses dias todos, tão corridos, nós aqui da Rádio Várzea Livre deixemos de atualizar o blog por um tempo. Pedimos desculpas e voltamos com boas novidades e informes.Eis a notícia do dia 23 de janeiro, conforme relatado pelos próprios assentados:

<<na Ocupação do Incra pelas famílias do Assentamento Milton Santos/Acampamento João Zinclair, tivemos, pela tarde, uma Oficina de Zine com o companheiro Batata Sem Umbigo, da Fábrica Ocupada Flaskô, com a presença da Rádio Várzea Livre.>>

Para além dessa oficina sensacional, que uniu o faça você mesmo do zine e da rádio livre, os dias de Ocupação do INCRA foram de intenso aprendizado e luta coletiva. Mas, conforme dissemos antes, a luta não acabou!

MiltonSantos-BoletimEstá disponível nesta página (clique na marcação!) todas as matérias – textos e vídeos – que vêm sendo publicadas no Passa Palavra sobre a luta do Assentamento Milton Santos.

É fundamental continuarmos a divulgar e estarmos juntos, de toda forma que pudermos, nessa importante mobilização!

Assentamento Milton Santos: Resistência e Luta!!!


Rádio Várzea Livre e Assentamento Milton Santos – ombro a ombro

incra

O Assentamento Milton Santos resiste. O Incra de São Paulo está ocupado desde terça-feira.

Para começar bem, um informe. Está disponível nesta página (clique na marcação!) todas as matérias – textos e vídeos – que vêm sendo publicadas no Passa Palavra sobre a luta do Assentamento Milton Santos.

Como já dissemos aqui, nós, da Rádio Várzea Livre, estamos lado a lado com aqueles que lutam e desejam superar esse sistema social que encarcera e reprime todos nós que queremos viver autonomamente em liberdade.

E é por isso que na última quinta-feira, 17 de janeiro, estivemos presentes novamente com os apoiadores e assentados do Milton Santos na Ocupação do INCRA. Eis aqui um trecho do relato do Passa Palavra:

<<Formação e cultura na ocupação

Mas nem só de acaloradas reuniões foi o dia da ocupação. Logo após o almoço, a Rádio Livre Várzea desenvolveu uma atividade no portão de entrada da ocupação. Foi deixado um microfone aberto para os assentados contarem suas histórias de vida, darem depoimentos, tirarem sarro e rirem um pouco. Em seguido, o coletivo fez uma breve discussão sobre o tema da comunicação e a cobertura das lutas sociais na grande mídia.>>

radioFormação, realmente. Aprendemos, muito, nesse dia. Por esse motivo, agradecemos aos assentadores e apoiadores e estaremos presentes na próxima semana com mais atividades no front da batalha.

Nesse mesmo dia, conforme pode ser lido no relato aqui citado, ocorreu uma reunião tensa e cheia de promessas vazias (até quando?) com os representantes do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Fica o recado: Presidente Dilma, você tem poucos dias para assinar o decreto pela desapropriação por interesse social da área do Assentamento Milton Santos!

Deixando esse pessoal para lá e para somar ainda no apoio concreto, os companheiros das Rede Extremo Sul realizaram uma excelente atividade, com vídeo e discussão sobre as condições de luta na periferia de São Paulo. Foi um momento de muito aprendizado e de trocas de ideias que enriqueceram nosso pensar e agir. O dia atnda terminou da melhor maneira possível: tivemos a chance de conferir o som do O Conselho, formado por um projeto de rap com as crianças da região do Campo Limpo, zona sul da cidade, e o rapper Robsoul, do Grajaú (também sul).

É isso aí. Semana que vem agora, já para começar, tem mais. Muito força, apoio e solidariedade concreta. Rádios Livres e Assentamentos juntos! Reforma Agrária na terra e no ar. Somos todos Milton Santos!

assentam


Apelo de solidariedade às famílias do assentamento Milton Santos

Reproduzimos, a seguir, o importante comunicado do Coletivo de Comunicação do Assentamento Milton Santos. Nós, da Rádio Várzea Livre, estamos lado a lado com aqueles que lutam e desejam superar esse sistema social que encarcera e reprime todos nós que queremos viver autonomamente em liberdade.

cartazmiltonsantos1.1

A comunidade do assentamento Milton Santos vive uma situação urgente e extremamente delicada.

O assentamento Milton Santos é uma comunidade consolidada há 7 anos, por 68 famílias que batalharam na luta pela reforma agrária e construíram suas casas e suas vidas mantendo plantação e produção de alimentos na região de Americana, São Paulo. No entanto, desde julho de 2012, os moradores do Milton Santos vêm sofrendo pressões para saírem das terras nas quais foram legalmente assentados pelo presidente Lula e pelo Incra, em 23 de dezembro de 2005.

Em meados do ano passado, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) foi intimado a cumprir uma reintegração de posse solicitada pela pela família Abdalla, antiga proprietária do terreno que teve parte de sua propriedade confiscada, na década de 1970,  por conta de dívidas que mantinha com o Estado. Ignorando o longo e doloroso processo de consolidação da comunidade de pequenos agricultores – que conta inclusive com apoio de diversos programas governamentais – o Desembargador Federal Luiz Stefanini autorizou a ordem de despejo.

Desde então, várias tentativas se seguiram no sentido de reverter a situação. Conversas com representantes do governo e ações de protesto foram realizadas, mas nenhuma delas trouxe a garantia que as famílias precisam para voltarem às suas vidas e continuarem a sua produção.

No início desse ano, no dia 09 de janeiro, o Incra foi oficialmente comunicado da decisão judicial, que estabelece o prazo de 15 dias para as famílias se retirarem do terreno. Conforme o documento, a partir do dia 24 de janeiro a ação de despejo pode ser executada com o uso da força policial. E, de acordo com o histórico da região, é muito provável que esta ação seja feita de forma altamente truculenta.

Os assentados não têm nenhuma alternativa, por isso prometem lutar até as últimas consequências para que possam continuar vivendo tranquilamente em suas casas, com suas plantações, na comunidade onde já estão há 7 anos e pela qual empenharam toda a vida. Por isso, reivindicam que a presidenta da república, Dilma Rousseff, assine o decreto de desapropriação da área por interesse social, a única medida que resolveria o problema de forma definitiva.

A situação no local é extremamente tensa. É urgente difundir o que está acontecendo com o assentamento Milton Santos e apoiar a luta dessas famílias que correm o risco de serem jogadas na rua a partir do dia 24 deste mês. Apelamos para que apoiadores da causa, jornalistas e observadores de direitos humanos voltem a sua atenção para o caso e não deixem que outra barbárie se repita.

Saiba mais sobre o caso:

www.assentamentomiltonsantos.com.br

http://www.facebook.com/AssentamentoMiltonSantos

Entre em contato pelo email:

assentamentomiltonsantos@gmail.com

Coletivo de Comunicação do Assentamento Milton Santos

cartazMiltonSantos2


Arrepia e inspira — estamos iniciando nossas transmissões

A Rádio Várzea Livre do Rio Pinheiros 107,1 fm tem o orgulho de iniciar suas transmissões em 2013 publicando uma de tantas das nossas construções coletivas e horizontais.

Poderia ser um manifesto, uma nota de apoio, ou mesmo uma referencia a tantas lutas que nos inspiram, todavia é algo que não está longe, que nos é palpável, que nos propiciou e propicia a a oportunidade de andarmos lado a lado, que nos mostra que se unir frente aos inimigos (e tem uma par), independentemente do front em que combatemos, é sempre mais importante, mais bonito, mais politico, mais verdadeiro!

Essa transmissão tem o intuito de dizer que somos LIVRES, que SOMOS RÁDIO, e que em 2013 correremos fortemente na pegada, juntos e misturados com todos que assim como nós procuram um mundo horizontal, autogestionado, abaixo e a esquerda.

Por isso temos o prazer de compartilhar o texto que escrevemos para o livro recém lançado pelas Mães de MaioMães de Maio, Mães do Carcere – A Periferia Grita, que em sua luta incessante por um mundo onde caibam muitos mundos, nós mostra que não estamos sós e nem mal acompanhados, como dizem nossos parceiros do XEMALAMI.

Eis, então, o texto publicado:

O respeito pela militância das Mães de Maio sempre foi motivo de conversas nos programas e reuniões da Rádio Várzea Livre do Rio Pinheiros.

A cada dificuldade que temos em nosso dia a dia, enfrentando aqueles que querem nos calar sistematicamente, a cada desânimo que temos no nosso dia a dia militante com as contingências cotidianas para os membros de um coletivo que tentam se organizar à margem e para além dessa sociedade – nestes, e em outros tantos momentos, pensamos nas Mães de Maio.

Arrepia e inspira.

Porque o caminho mais comum após a tragédia calculada friamente pelo Estado que se acometeu em suas vidas, era que elas se calassem e voltassem de forma silenciosa para as suas casas. Porque é assim o cotidiano e é isso que os governantes e empresários esperam do povo negro e pobre desse país. Resignação, sofrimento individual e paciência – é isso que os senhores de cima esperam daqueles que sofrem injustiças. Tentar apenas pela via da lei significaria a esterilização de qualquer sentimento de revolta, de qualquer sentimento de esperança de que um dia a vida pode ser diferente. A lei tem lado – a justiça só é cega pra quem tá alienado.

Ao não se calarem perante aos milhares de entraves, ameaças, mentiras e todos os obstáculos que impedem às mães de terem o direito à verdade em plena democracia, o movimento das Mães de Maio desnaturaliza a história e mostra à todos que quem a IMG_3630constrói somos nós, seres humanos em movimento. Deixa à vista de todos que outra vida é possível de ser construída justamente no momento em que ela se desmorona – nada pode ser pior do que perder um filho.

Essa luta das Mães  se reflete dentro das nossas almas. O andar é tortuoso, perigoso e tenso – e é imprescindível, por isso, caminharmos lado a lado, para que juntos possamos chegar mais longe sempre, resistir à opressão, enfrentar a repressão e atacar os que tentam nos desarticular e desacreditar.

Quando montamos uma antena e ligamos o transmissor, quando  botamos a boca no microfone, imediatamente nos sintonizamos com as Mães de Maio e com todos aqueles que resistem e lutam por outras formas de se organizar e de se viver: transgredimos a lei, porque essa lei não nos serve.

Estamos certos de que a mesma ordem que impede as Mães de Maio de conseguirem a justiça e memória de seus entes atacados pelo Estado, também coloca cada vez mais obstáculos para nos comunicarmos livremente. Essa ordem insiste em nos dizer que nossa luta é ilegal, nos acusa de não estarmos seguindo as regras e que devemos ser pacientes e não termos pressa com a justiça. Ordem essa que apesar de querer mostrar que “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa” não nos supera, pois, como dissemos acima, nossas lutas seguem o ritmo de nossos corações: abaixo e à esquerda.

Sabemos que nossa (r)existência coletiva significa golpes diários contra essa democracia mascarada e falsa, um sistemas que se esconde por detrás a face terrorista do capitalismo que massacra cotidianamente os desiguais de uma sociedade que entende por igualdade a uniformidade e a padronização da vida, onde o pobre negro favelado só aparece para o mundo nas notícias sobre o crime e nos páginas policiais.

Quando ocupamos uma frequência no latifúndio eletromagnético da comunicação, estamos organizando uma vida que nos diz respeito, que fala sobre nós para nós mesmos, que conta e compartilha coletivamente a nossa história. Não queremos hierarquias, lideranças, vereadores ou presidentes. Não somos adeptos de nenhum tipo de verticalização política e social, somos horizontais – e já que não nivelamos por cima, acreditamos que é possível se organizar coletivamente, abaixo e à esquerda. Não queremos nos legalizar e seguir uma ordem ditada por instituições que se dizem “democráticas”, na qual a liberdade de se organizar e se revoltar contra as injustiças não é permitida. 

Queremos apenas – e isso para nós é justamente o sentido de nossa luta – sermos donos das nossas próprias vidas, sem que ninguém nos arranque o sentido delas, como aconteceu com centenas de filhos em maio de 2006, em pleno Estado Democrático de Direito, e como se tem tentado infligir às Mães – que, além da perseguição sofrida,  pouco espaço tem para falar sobre a sua realidade e suas lutas.

E é justamente por essa linda e importante luta coletiva contra o esquecimento, que  somos parceiro@s das Mães de Maio até o final, pois estamos do mesmo lado, lado a lado. A organização e luta das Mães de Maio por justiça e memória significam a prática de uma outra sociedade, assim como organização e luta pela comunicação livre, um mundo onde caibam muitos mundos, onde não exista policia e onde não sejamos incitados diariamente a nos dividirmos e disputarmos entre si, mas sim a somarmos sempre, uns com os outros, como parceiros e aliados, dentro das nossas diferenças.

É por tudo isso que dissemos acima, e muito mais por aquilo que sentimos e não conseguimos ainda nem expressar por meio dessas breves palavras, que acreditamos que os nossos movimentos são indissociáveis. Se estivermos desunidos, seremos presas fáceis dessa falsa democracia – que dita atualmente a forma como vivemos – e daqueles que criminalizam fortemente as nossas lutas. Onde há uma voz se levantando contra a injustiça, haverá uma onda no ar propagando a liberdade.

RÁDIO VÁRZEA LIVRE — 107, 1 FM LIVRE! SINTONIZE, PARTICIPE E OCUPE O LATIFÚNDIO ELETROMAGNÉTICO! DO LUTO À LUTA, COM AS MÃES DE MAIO!”

O livro se encontra a venda e tem salve de mais uma par de gente que corre lado a lado, quem quiser dar uma forca é só da um salve no maesdemaio@gmail.com, ou fala com nois memo.

Salve Mães de Maio, Salve Mães de Todo dia, Salve nossas Mães!

Estamos no Ar, LIVRES!

QUE VENHA 2013!

RÁDIO VÁRZEA LIVRE do RIO PINHEIROS — 107, 1 FM  – VIVÃO E VIVENDO!