OCUPANDO O LATIFÚNDIO ELETROMAGNÉTICO

Nota nº 2: Sobre Pixo e Universidade Pública – reflexões sobre a festa Osama Bin Reggae

Dando continuidade às reflexões pós-Semana de Resistência, o coletivo Osama Bin Reggae busca através dessa 2a nota se posicionar diante das acusações de vandalismo perante o espaço público.

A festividade que encerra a semana Osama Bin Reggae é um dos poucos momentos em que uma parcela dos habitantes de São Paulo, que é segregada da Universidade Pública, se sente à vontade para ocupá-la. A festa é um lugar de troca de experiências, de encontros, e, por isso, um espaço importante que a Universidade deve proporcionar. Um dos principais objetivos dessa reunião é trazer aquelxs que foram excluídxs, pelos muros e vestibulares, para dentro da Universidade Pública. Sabemos que isso incomoda muita gente: desde os fascistas que querem controlar que tipo social pode frequentar a USP, encher os prédios de catracas e cobrar mensalidades dos alunxs, até aqueles que defendem os espaços públicos (e vazios) mas, se chocam com sua ocupação, sob acusação de apropriação privada.

Vale ressaltar aos desavisadxs que a festa Osama Bin Reggae não gera lucro a ninguém, apenas paga suas próprias contas e colabora com outras lutas de democratização dos meios de comunicação e cultura. Buscamos ocupar o espaço público que, cada vez mais, é privatizado por cátedras, fundações, empresas juniors, bancos, cursos pagos etc.

Ocupar com o povo o que é público. Obrigar o espaço, pelo menos durante uma semana, a ser público. E para a imensa maioria do público, a única oportunidade de entrar na USP é pelas festas. Assim, nossa festa também tem, bem como os debates da Semana, um caráter político.

Sobre os danos ao prédio dos quais somos acusadxs, perguntamos: e os prejuízos à Rádio Várzea (um dos coletivos que compõe o Osama) que vem sendo seguidamente sabotada pela diretoria da FFLCH-USP, que na calada da noite rouba cabos e antenas? Quem pagou? Até quando os doutores da FFLCH vão fugir do debate sobre o monopólio da mídia sobre comunicação livre e continuar agindo como gangues que destroem antenas? Quando algumas dessas questões tiverem resposta podemos conversar sobre os danos ao prédio ocorridos na festa, essa é a nossa posição. Querem calar as vozes da resistência e ainda cobrar a conta?!

Se orienta né !!!

As pixações – que foram classificadas por alguns como vandalismo, anti-estética etc. – realizadas no local da festa são uma constante na cidade de São Paulo e se configuram numa forma de comunicação através dos muros – que segregam – daqueles que tem sua voz apagada pela violência cotidiana dessa metrópole, que sobrevive graças a uma profunda desigualdade social. Também é do nosso interesse manter as instalações do prédio em condições normais, todavia, na medida que a festa já foi amplamente apropriada pela população (inclusive pelos que se expressam através dos muros) não é possível impedir que essas marcas sejam deixadas.

Reconhecemos na pixação uma forma sofisticada de prática libertadora e política, que se apresenta como um gesto compassivo, digno e, também, um mecanismo perturbador em uma comunidade social hierárquica e altamente preconceituosa. Assim como identificamos a violência existente na estética do poder, na alta exposição de logotipos das grandes marcas do capitalismo ou mesmo nos enormes muros brancos que silenciam as contradições.

O que nos impressiona é o puritanismo de certos frequentadores da USP que se chocam quando as “vozes” da rua ocupam a Universidade Pública deixando sua marca de maneira pacífica. Como será que se sentem quando andam por São Paulo (fora da Usp)?! A gozolândia que se tornou a Cidade Universitária mascara as contradições que sustentam nossa sociedade e, quando elas se tornam visíveis chocam os “proprietários do conhecimento”.

Gostaríamos de saber também por que o corpo docente (e alguns de seus papagaios de pirata) não se mobilizam para outras questões: como os problemas estruturais do prédio (salas superlotadas por exemplo?) Ou por que certos professores (e alunos) também não saem reclamando aos quatro ventos quando os alunos são retirados da sala de estudos para que ela possa receber um “coffee break” de um curso pago?

Se aqueles que tem seu acesso à USP negados cotidianamente seja pelos muros, seja pelos guardas, seja pelo vestibular, entram enfim dentro do mundo mágico da USP, não é de se estranhar que queiram deixar sua marca em uma Universidade que deveria ser pública mas da qual ele está privado. As pixações são a resposta à exclusão que a Universidade a serviço do capital e das elites impõe.

ABAJO Y A LA IZQUIERDA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*